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Mostrando postagens de fevereiro, 2016

Desabafos do início da noite

Quase tive algo Amei o que poderia ser Aproveitei o que não foi E vivi com o que tinha. Mas hoje, não quero nada Além do algo que não tive Com alguém que eu não conheço Em algum lugar que não vivo Com vontades ainda não beijadas Espero que exista alguém Tão idiota quanto eu. Depois de um tempo existiu sim um alguém. Um alguém quase perfeito. Esse alguém me amou e eu a amei. E eu a amo. A saudade me toma a cabeça e os olhos. O fim foi bruto e rápido como um raio. A dor que causei não foi proporcional à que sinto, mas não minto. Eu sinto, ela fica indo e vindo, e a memória me dói, me faz pensar em arrependimento, em amor, prazer, segurança. Mas o que eu mais sinto falta, não é do seu belo corpo, ou de seus gostos. Sinto mais falta de seu abraço, de sua presença. Sinto falta de poder ficar abraçado, sem previsão de partida. Um abraço que me afagava, me acolhia, me amava. Eu sentia o amor, e eu emanava amor também. Ainda emano. Sei que ela está vivendo por lá, talvez até já ...

Futilidade inútil

Poesia por si só Palavras abraçadas Cabeça vazia Mão com garras. A arte pela arte É sua própria desculpa Escrever sem segundas intenções Não é nenhuma labuta. O simples prazer De deixar as letras fugirem Me livra do malquerer Que leiam e julguem A futilidade inútil De minha sintaxe. Que olhem e amem A feiura útil Das minhas vontades.

"Às vezes, não conseguir o que você quer é uma tremenda sorte." - Dalai Lama

Talvez seja algo momentâneo Ecos apenas, quem sabe ? Não quero mentir falando Que meu coração já não arde Mas não quero me iludir Esperando por passeios no parque Já libertei minha cabeça escrava de palavras doces. E ela, com seus novos sapatos Procura algo parecido para ouvir. Permito-me ir, Sem aqui nada esperar.

O que se criou depois de eu me encontrar

Amei a utopia de um certo alguém Apeguei-me a uma inexistência linda Um desejo que foi-se tão rápido  Quanto sua chegada. A fonte do bem-querer ainda é presente Mas agora a vejo com olhos reais. E com essa nova visão, uma beleza Desconhecida até então Exuberante em sua simplicidade e realidade Que se desenrole, sem nada idealizar Vivo plenamente, sem saber o que esperar E sem esperar o que não sei.